Pandemia e o desejo de ser mãe

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A pandemia de Covid-19, com todo seu potencial destrutivo, trouxe consigo também uma série de consequências indiretas, entre as quais os prejuízos à saúde mental decorrentes do necessário isolamento social. Dentro desse quadro, muitas mulheres que ora sonhavam em ser mães podem estar se sentindo inseguras e receosas diante da hipótese de gerar uma criança em condições tão adversas.

Naturalmente, a saúde da mãe carrega influência direta sobre o desenvolvimento do feto.  De maneira geral, gestantes são mais vulneráveis ao agravamento de problemas respiratórios, por conta das alterações anatômicas pulmonares. Mas, como a pandemia ainda é recente, as pesquisas sobre as intercessões específicas entre Covid-19 e gravidez são incipientes. 

De acordo com a obstetra Fernanda Spadotto, da Rede D’Or São Luiz, gestantes podem ser consideradas grupo de risco do coronavírus, por conta das alterações imunológicas e cardiovasculares que a gravidez implica. Um perigo possível, sugerido por artigo publicado no periódico JAMA (Journal of American Medical Association), é o de uma brecha maior para a ocorrência de pré-eclâmpsia durante a gestação de mulheres infectadas pelo coronavírus. Trata-se de uma complicação da gravidez decorrente de um parco desenvolvimento dos vasos placentários, que altera a circulação e eleva a pressão arterial a ponto de, em alguns casos, levar a óbito a mãe e o bebê.

Mesmo que muitos desses perigos de uma gravidez durante a pandemia, como transmissão vertical e parto prematuro, ainda precisem ser completamente confirmados, a dimensão psicológica, abalada pela insegurança, pelas perdas, pelas privações sociais, deve ser levada também em conta. Durante a gravidez, é de suma importância o acompanhamento médico constante e a realização dos exames pré-natais, situações de inevitável exposição que podem gerar receio. Há de se considerar ainda, uma vez nascida a criança, os desafios do período de resguardo, quando a mãe precisa contar com seus próximos.

Solidão, insônia,  dificuldades da própria mulher em se reconhecer como mãe… Logo após a gravidez, muitas delas se encontrarão altamente sensíveis por conta das alterações hormonais, e o sentimento de tragédia global transmitido pela pandemia pode ser uma combinação de insondável angústia.

A relação restrita ao parceiro do lar, outro sintoma do distanciamento social necessário para conter o vírus,  pode dificultar a identificação de sinais de depressão pós-parto, por exemplo. A própria criança, se recém nascida nesse contexto, será privada de toda uma rede de apoio que muitas vezes comparece a partir da família dos pais, já que mesmo os parentes próximos precisam se manter distantes nesse momento tão difícil.

Os métodos de reprodução assistida têm ajudado muitas candidatas a gestantes a alimentarem o sonho da maternidade de maneira mais estável e controlada. O congelamento de óvulos comparece como opção para o adiamento da gravidez, que pode ficar reservada para um futuro em que esses riscos já não pareçam tão aterradores, especialmente para mulheres que se aproximam da casa dos 30 anos, a partir da qual as chances de insucesso na concepção são maiores.

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